O Tarô Terapêutico e a Jornada Arquetípica


 O Tarô Terapêutico e a Jornada Arquetípica

Andrea Pavlovitsch
Terapeuta Holística - CRT 41933

 São Paulo

2008

 

Epígrafe

A grande invocação

Do ponto de Luz na Mente de Deus

Flua luz às mentes dos homens:

Desça a luz a Terra

Do ponto de Amor no Coração de Deus

Flua amor aos corações dos homens;

Volte Cristo a Terra

Do centro onde a Vontade de Deus é conhecida,

Guie o propósito às pequenas vontades dos homens:

O propósito que os Mestres conhecem e servem.

Do centro a que chamamos a raça dos homens,

Cumpra-se o Plano de Amor e de Luz

E mure-se a porta onde mora o mal.

Que a Luz, o Amor e o Poder restabeleçam o Plano na Terra.

 

Dedicatória

Dedico este trabalho a cada um dos meus clientes, que tanto tem me ajudado a ser uma profissional melhor e um ser humano mais evoluído.

 

Agradecimentos

Agradeço primeiramente aos meus mentores espirituais e aos Mestres Ascenscionados, por me darem a oportunidade de evolução através do estudo e da terapia.

Agradeço ao meu pai Inácio Teixeira pela força e pelo auxílio às mais diferentes manifestações que apresentei ao longo de minha vida.

Agradeço à minha mãe Alice Pavlovitsch e as minhas irmãs Janaina e Luciana pelo apoio incondicional e por sempre estarem ao meu lado, mesmo quando eu soube que poderia fazer sozinha.

Agradeço a cada um dos meus compreensivos amigos, professores, autores do mais diferentes livros que li até hoje, pois cada um me trouxe um pouco mais de entendimento sobre o processo que desenvolvo na Terra.

 

Sumário

  1. Introdução..............................................................................................................8

1.1. Jung e o inconsciente coletivo..............................................................................8

1.2.. Tarô – história e apresentação...........................................................................10

2. Material e metodologia................................................................................................12

2.1. O método do tarô terapêutico............................................................................12

3. Resultados....................................................................................................................13

4. Discussão.....................................................................................................................25

5. Conclusão....................................................................................................................27

6. Referências bibliográficas...........................................................................................28

7. Anexos e Apêndices....................................................................................................29

 

Resumo

 

O presente trabalho visa demonstrar, de maneira teórica, a orientação que o tarô, enquanto instrumento terapêutico de leitura do inconsciente, pode nos fornecer numa consulta de qualquer tipo.

Todas as pessoas estão sempre passando por ciclos em suas vidas. Estes ciclos são parte da própria evolução humana. Jung chamou essa jornada de “Jornada Arquetípica”, ou seja, cada pessoa está passando, em determinado momento, por um dos arquétipos representados no tarô.

Neste trabalho faremos uma breve análise de cada um dos arcanos maiores do tarô e como eles podem nos fornecer pistas importantes sobre o momento em que se encontrar, na senda da evolução, cada um dos nossos clientes, para que possamos fazer um trabalho mais específico com cada um, e conseguir melhores resultados ao final do tratamento, tratando o ser humano como um ser holístico, e biopsicosocial e espiritual.

1. Introdução

1.1. Jung e o inconsciente coletivo

A Psicoterapia analítica, desenvolvida por Carl Gustav Jung, é a que mais pode contribuir para a orientação teórica deste trabalho. Isso porque Jung estudou, inclusive, os arcanos do tarô e várias outras formas dos chamados eventos extrafísicos, ou seja, casos que não podem ser comprovados pela ciência tradicional e que não são aceitos pela mesma, sendo consideradas mitos ou inverdades. De fato, os eventos analisados por Jung, como o tarô, a sincronicidade e tantos outros, não poderiam ser comprovados pela ciência empírica, cega as manifestações energéticas do homem e que não o considera como um todo, ou seja, como um ser holístico.

Isto posto, vamos analisar, primeiramente a noção básica da Psicoterapia analítica, o conceito de personalidade total (Self). Segundo este conceito, a Psicoterapia humana se desenvolve de duas maneiras concomitantes. Primeiramente uma psique extraconsciente cujos conteúdos são pessoais. E, paralelamente, uma psique cujos conteúdos são impessoais e coletivos, o chamado inconsciente coletivo. (Magalhães, 1984).

Por inconsciente coletivo podemos compreender uma psique mais profunda, comum a todos os humanos e sem distinção de cultura, raça ou religião. Essa psique seria formada por padrões de estruturação da personalidade nas diferentes fases da vida (infância, adolescência, relação conjugal e profissional, velhice, preparação para morte) chamados de arquétipos. (Magalhães, 1984). A explicação dos arquétipos seria a do “modo como os pássaros fazem o ninho, por exemplo, é um código inato, assim como certos fenômenos simbióticos entre insetos e plantas. Da mesma maneira o homem nasce com certo funcionamento, certo padrão que a torna especificamente humano. Este padrão está expresso nas imagens arquetípicas, ou formas arquetípicas”.( Evans apud Magalhães, 1984).

A noção de arquétipo, postulando a existência de uma base psíquica comum a todos os humanos, permite compreender por que em lugares e épocas diferentes aparecem temas idênticos, nos contos de fadas, nos mitos, nos dogmas e ritos das religiões, nas artes, na filosofia, nas produções do inconsciente de modo geral – seja nos sonhos das pessoas normais, seja no delírio dos loucos”. (Silveira apud Magalhães, 1984).

Jung ainda coloca os arquétipos como imagens “primordiais” (Burckhardt apud Jung, 1987), ou seja, uma aptidão da mente humana de manter as imagens como elas eram nos primórdios da humanidade.

Essa hereditariedade explica o fenômeno, no fundo surpreendente, de alguns temas e motivos de lendas se repetirem no mundo inteiro e em formas idênticas...” (Jung, 1987).

Uma outra noção junguiana muito importante no presente trabalho é a teoria da sincronicidade, desenvolvida pelo autor. Segundo ele, a sincronicidade é a “coincidência significativa de dois ou mais acontecimentos” (Jung, 1971). Porém, estes fatos não são somente uma coincidência estatisticamente comprovada, mas uma manifestação do psiquismo da pessoa com a qual ocorre o fato, a sincronicidade. Jung começou a pensar nisso quando, ouvindo o sonho de uma paciente sobre um besouro, viu o mesmo besouro entrar pela janela de seu consultório. De fato, a possibilidade matemática disto acontecer com eles (médico e paciente) era remotíssima, apesar de possível, o que o fez acreditar que algo no inconsciente coletivo fazia com que os acontecimentos certos aparecessem para determinada pessoa, como um modo de mensagem que deveria ser decifrada como algo importante e que trouxesse desenvolvimento e evolução ao ser em questão. Assim “o fato psíquico modifica ou elimina os princípios da explicação física do mundo está ligado à afetividade do sujeito da experimentação” (Jung, 1971). Ou seja, os fatores da psique humana são capazes de modificar os conteúdos do mundo físico, fazendo com que ocorram as chamadas sincronicidades. A sincronicidade é, portanto, “uma percepção de uma simultaneidade de acontecimentos internos e externos, não necessariamente no mesmo momento – daí serem sincronísticos e não sincrônicos.” (Guimarães, 2004).

1.2. Tarô – história e apresentação

Vejamos, primeiramente, o que Banzhaf nos diz sobre o tarô:

“O tarô é um oráculo de cartas que, em sua estrutura atual, é conhecida desde o século XVI. Consiste em 78 cartas, divididas em dois grupos principais: as 22 cartas chamadas Arcanos Maiores (do latim arcanum, que significa “segredo”) e as 56 cartas chamadas Arcanos Menores. Os Arcanos Maiores apresentam figuras ou “personagens” individuais e inconfundíveis, numerados em seqüência clara. Já os Arcanos Menores são precursores do atual baralho de jogo, pois se dividem em quatro séries de naipes” (Banzhaf, 2001).

Para o presente trabalho vamos considerar somente os Arcanos Maiores do tarô.

“Erupções dramáticas deste gênero usualmente significam que aspectos negligenciados de nós mesmos buscam reconhecimento.” (Nichols, 1980). Assim, o tarô utiliza-se dos arquétipos do inconsciente coletivo para nos mostrar, por meio de importantes mensagens, aspectos nossos abandonados ou deixados de lado por alguma motivação consciente ou não. A sincronicidade entra na escolha de cada uma das cartas escolhidas pelo consulente ou pelo tarôlogo. Assim, não é a toa que uma determinada carta é puxada quando o consulente concentra-se em um determinado aspecto de sua vida. O tarô responderá de acordo com a energia psíquica que aquela pessoa desprende no momento da jogada.

Veja bem, não se trata de uma mágica barata. É toda uma teoria psicológica que respalda os indícios de que as figuras que aparecem no tarô representam de alguma maneira aspectos de nosso inconsciente coletivo. Assim, as cartas podem ser utilizadas por qualquer pessoa, a qualquer tempo. São atemporais como o é o próprio inconsciente, onde não se separa presente, passado ou futuro. Os eventos apresentados nas cartas do tarô podem tanto vir de eventos futuros (aparecendo como previsões) como de eventos passados ou presentes, exatamente pela atemporalidade do aspecto inconsciente. O importante é saber que esses aspectos, quando solicitados pelo consulente no momento da consulta de tarô, aparecerão de acordo com a sua importância na vida psíquica da pessoa, ou de aspectos escondidos que precisam vir à tona (ou seja, eventos inconscientes que precisam ser conscientizados) de coisas que já aconteceram, como de eventos que tem um potencial para acontecerem no futuro e que, de alguma maneira, ainda poderão ser modificados. Por isso que não podemos falar em destino como uma tabula rasa escrita por alguma outra força que não esteja em nós mesmos, mas sim como uma possibilidade dentro dos eventos da vida da pessoa que serão levados a cabo de acordo com cada uma de suas escolhas.

Assim, os arquétipos representarão o encenar de uma peça que já acontece há muitos séculos, desde os primórdios da civilização, mesmo que mude seu cenário. Por isso a grande quantidade de diferentes modelos de tarô, de diferentes épocas, religiões e conceitos. O aspecto principal é que as figuras não mudam, os arquétipos são apresentados sob diferentes roupagens, mas sempre serão os mesmos.

 

2. Material e metodologia

2.1. O método do tarô terapêutico

O método do tarô terapêutico é de uso e aplicação simples, mas com grande poder de síntese do processo principal pelo qual a pessoa está passando. Separam-se os 22 arcanos maiores do tarô e é pedido que o consulente embaralhe as cartas concentrando-se, principalmente, no motivo real de seus problemas atuais. O consulente também pode se concentrar em um problema específico. Logo após, o terapeuta abre o baralho à sua frente, de maneira que todas as cartas fiquem viradas para baixo e seja possível puxar qualquer uma delas. Ainda concentrado, o consulente precisa puxar uma única carta, que será o motivo da meditação durante todo o restante da sessão. O terapeuta precisa explicar o máximo sobre a carta em questão e pedir que o consulente faça suas associações com os problemas pelos quais está passando ou conte uma história do que acha que está acontecendo na figura. Assim que terminar o processo, o terapeuta já saberá em quais aspectos da carta é preciso atuar .

 

3. Resultados

A seguir, apresentam-se as cartas do tarô e as possíveis associações terapêuticas:

O Louco“O louco é o andarilho, enérgico, ubíquo e imoral” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Pessoa imatura, criança, dependente ou infantil. Não quer se responsabilizar pela sua própria vida ou precisa parar de procurar um “papai” que lhe resolva os problemas. Parar de culpar os outros pelas nossas responsabilidades.

Representa a pessoa que precisa soltar-se mais, soltar a sua criança interior e impulsionar em direção à vida e ao futuro. Pode representar pessoas que tem um louco dentro de si, mas tornaram-se metódicas e enfadonhas, atingindo um alto grau de depressão ou desespero sem motivo. Pode evocar estados de síndrome do pânico, onde toda a energia represada precisa ser solta de alguma maneira. Também evoca a energia presa que gera estados de Transtorno Obsessivo Compulsivo.

 

O Mago “O mago é capaz de realizar sua mágica diante de nós, bastando para isso que assistamos às suas representações.” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Aqui está uma pessoa que se esconde no seu lado ativo, masculino e faz, faz, faz para não parar e olhar para si. Não suporta o silencio e precisa sempre de estímulos ou tarefas.

Pessoas muito ligadas com o superficial, identificadas quase que totalmente com o ego, que precisam do outro para se sentir queridas, amadas ou reconhecidas. Falta de reconhecimento da realidade, pessoas muito iludidas ou presas a fantasias. Precisa aprender a se conhecer, a olhar mais para si mesmo independente do que estão ou não fazendo.

 

A Sacerdotisa“Dela é o reino da profunda experiência interior; dela não é o mundo do conhecimento exterior” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: A pessoa que precisa acalmar-se, olhar para si mesma e escutar a voz do coração. Tem dificuldades com a sua ternura, em demonstrar sentimentos, sendo introspectiva, tímida e desconfiada.

Representa a pessoa que não consegue se ligar à sua espiritualidade por não estar ligada ao seu lado feminino ou tem uma máscara de espiritualidade para não mostrar seus verdadeiros sentimentos. São mulheres com dificuldades no feminino sagrado e homens que não conseguem acessar sua porção mulher, gerando machismo e falta de respeito pelo feminino. Mulheres que perderam a intuição por conta do mundo competitivo em que vivemos e do acúmulo de tarefas. Pessoas que, em geral, precisam refazer seu contato com o seu espírito. Mulheres com forte TPM por conta desse distanciamento.

 

A Imperatriz “É, portanto, a Imperatriz quem faz às vezes de ponte entre o Mundo Mãe de inspiração e o Mundo Pai de lógica e laboratórios...” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: É aquela pessoa que cuida de todo mundo, menos dela. Uma pessoa que se trava em detrimentos do que os outros vão pensar ou sentir por ela. A mãe superprotetora ou a filha problemática e dependente entram neste arquétipo também.

Pessoa travada no seu processo criativo por afastamento do seu lado feminino. Falta de inspiração para mudar o que precisa ser mudado. Excesso de “amor”, relacionamentos destrutivos e sufocantes. Falta de fertilidade e de prosperidade. Excesso de dramaticidade do real. Precisa se dar permissão para viver mais as coisas boas da vida e cuida de si como cuida dos outros.


 

O Imperador – “Aqui começa o mundo patriarcal da palavra criativa, que inicia o domínio masculino do espírito sobre a natureza.” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Pessoa que dedicada demais a tudo o que é prático e racional, justamente por saber que isso lhe falta de maneira natural. Pessoa controladora (de si e dos outros) ou, se for para o outro lado, revoltada com todas as figura de poder.

Falta de senso prático. Excesso de ilusões e fantasias. Falta de concretude. Problemas com figuras de poder, como chefes. Racionalizar demais como mecanismo de defesa. Falta do princípio da ação, pessoa acomodada. Falta contato com a realidade, vive no mundo mental, das idéias sem concretizar nada. Problemas em se destacarem do todo e em encontrar soluções na vida profissional. Saber que é o senhor de si, seu próprio imperador, e necessita incorporar o arquétipo para ser mais si mesmo.

O Sumo Sacerdote – “... a personificação exteriorizada da luta do homem pela conexão com a divindade – da sua dedicação à busca do significado, que coloca o homem acima dos animais” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Pessoa que está distante de si e sempre precisa do outro (que acredita ser mais inteligente) para resolver as suas questões internas. Pode identificar pessoas que precisam sempre de um mestre, um guru ou qualquer coisa assim para chegar a Deus.

Perda da ponte entre Deus e o homem. Crenças infundadas. Necessidade do outro para ver suas próprias questões. Projeção. Inveja. Falta de consciência do seu poder espiritual. Complexo de herói. Afastamento da parte sagrada do Self. Fanatismo religioso. Precisa aprender a ser o seu próprio mestre interior e confiar nas coisas que faz e diz, sem deixar suas decisões nas mãos de outras pessoas. Sair do mental e entrar mais no sentir.


 

O Enamorado – “Podemos ver nesse moço a personificação do jovem e vigoroso ego, pronto para enfrentar a vida e seus problemas sem a ajuda de ninguém.” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Fragilidade do ego. Fraqueza para tomar decisões. Excesso de indecisão. Processo de fuga dos conflitos. Excesso de fantasia como fuga da realidade. Não consegue se conectar com a mãe interna, não cortou o cordão umbilical da mãe real. Dependência emocional. Imaturidade. Enfrenta uma dualidade, utilizando fatores internos para não assumir a responsabilidade por si. Deixar sua indecisão e escolher seguir a sua alma, escolhendo o que precisa para crescer.

O Carro – “ A jornada exterior não é apenas um símbolo da jornada interior, mas também o veículo para o nosso autodescobrimento” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Inflação do ego. Falta de equilíbrio e discernimento. Ter energia, mas não ter objetivos claros. Instabilidade emocional. Somatização de doenças por conta do emocional. Estados de mania e ansiedade. A pessoa que “coloca o carro na frente dos bois”. Medos infundados. Estagnação. Medo de tomar as rédeas e de dirigir.

A pessoa completou um ciclo de sua vida e está sentindo necessidade de mudanças, principalmente a procura da sua independência e autonomia. Pode se apresentar como excessivamente independente, auto-suficiente e desapegado, ou o contrário. Nos dois casos denota a sua fraqueza e carencia afetiva. Deve realizar essa mudança profunda, esquecer o passado e ouvir mais o coração.

 

A Justiça – “O equilíbrio é a base da Grande Obra” (Aforismo alquímico apud Nichols, 1980)

No processo terapêutico: Estado de regressão infantil, pois tenta passar o tempo todo uma idéia de pessoa perfeita, somente para agradar aos outros. Pessoa que usa a raiva contra os outros e comete crimes. Auto-culpa acentuada. Falta de equilíbrio mental. Mudanças repentinas de humor. Falta de responsabilidade no sentido de não entender que o Universo nos manda o que precisamos. Sentimento de injustiça ou de ser o seu próprio juiz, julgando a si e aos outros com destreza, denotando seu ego rígido. Pode significar o momento em que a pessoa percebe que não pode mais ficar nesta posição agradadora o tempo todo.

 

 

O Eremita – “... o frade aqui retratado personifica uma sabedoria que não se encontra em livros”. (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Sentir solidão por distância do si mesmo (vazio da alma). Fanatismo religioso. Tristeza profunda. Falta de sabedoria com as experiências. Retirar-se da vida por vontade própria. Falta de senso de observação e dificuldade de introspeção. Pessoa espiritualmente atacada. Superficialidade. Desligamento do Eu Superior. Pessoa tímida e compulsivamente introvertida, sexualmente imaturo por negar sua natureza instintiva. Precisa voltar a si mesmo estando alerta pra seus impulsos internos. Perceber que as circunstancias não são o problema e encontrar sua alma.

 

A Roda da Fortuna – “... estamos presos no intérmino girar predestinado da Roda da Fortuna? Ou essa carta nos oferece outras mensagens, mais cheias de esperança?” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Estagnação. Envolver-se demais com os problemas externos desconsiderando a sua essência. Não aceitação dos fatos da vida como naturais e excesso de sofrimento por isso. Pessoa dramática e vitimesca. Pessoa que não consegue acessar transformações e mudanças necessárias à evolução humana e espiritual. Pessoa presa ao passado, que espera que sempre as coisas se repitam. Não consegue mudar o comportamento e, consequentemente, não consegue mudar as coisas. Precisa entender a relação entre seu interno e seu externo.

 

A Força – “As energias outrora empenhadas na adaptação exterior começarão agora a preocupar-se mais com o crescimento interior” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Lado emocional exacerbado. Ser dominado pelas emoções. Falta de controle da raiva e do ódio. Violência. Doenças psicossomáticas. A pessoa não consegue aceitar as suas emoções e elas acabam o engolindo. Fraqueza física e emocional. Sexualidade desequilibrada. Indecisão quanto à própria identidade sexual.

 

O Enforcado – “Com as mãos amarradas atrás das costas, o Enforcado se acha tão indefeso quanto um nabo. Está nas mãos do Destino” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Falta de coragem para abandonar o velho e conquistar o novo. Acomodação extrema. Necessidade de se voltar para dentro para voltar como uma pessoa renascida. Deixar-se nas mãos do Destino.

 

A Morte – “Na natureza nada se perde. O rei está morto. Viva o rei” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Apego. Dificuldade de aceitar as mudanças. Pessoas arraigadas às velhas formas e velhas crenças. Apego a pessoas ou situações. Carregar um cadáver que não tem mais utilidade.

 

A Temperança – “O tema dessa carta associa a temperança à Aquário, o carregador da água, o décimo primeiro signo do zodíaco.” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Falta de equilíbrio das emoções. Pessoa muito fria ou muito calorosa. Problemas em deixar fluir a vida e resolver, de forma natural, os seus conflitos. Pessoa não consegue ver a saída porque não analisa todas as partes do problema. Problemas circulatórios. Falta de confiança no fluxo da vida. Impaciência.

 

O Diabo – “Chegou o momento de enfrentar o Diabo” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: A não aceitação dos aspectos negativos do Ego como a arrogância, a inveja, a ganância, faz com que acabemos escravos deles. Ser escravizado por sua própria sombra por medo de enfrentá-la. Pode tornar-se uma pessoa malévola para si mesmo, descuidando de si por sentir-se culpado e gerar doenças e tragédias. Abertura de mediunidade não trabalhada, que leva a problemas espirituais. Falta de proteção. Promiscuidade e mau uso da sexualidade.

 

A Torre – “Não há dúvida de que suas mentes e corações também eram tão frios e escuros quanto o seu ambiente e tão firmemente cerrados à possibilidade de uma intervenção milagrosa” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Preso a padrões mentais destrutivos e antigos. Não consegue se jogar de sua prisão inconsciente. Preso a crenças antigas ou a situações desagradáveis. Pode representar uma pessoa que passou por uma destruição (como tragédias e problemas de saúde) e não consegue se reestruturar do trauma. Falta de fé na intervenção divina e em si mesmo. Falta de autoconfiança.

 

A Estrela – “Não usando nenhuma proteção ou máscara, releva a sua natureza básica” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Espiritualidade usada para ter poder. Egoísmo. Inflação do ego. Arrogância e falta de preocupação com o outro. Falha nos projetos. Estagnação dos projetos de vida. Confunde aquilo que se é na essência com a sua máscara. Falta de contato consigo mesmo.

 

A Lua – “... o próprio herói está ausente” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Loucura, depressão profunda. Não consegue enxergar as saídas para nenhum problema. Estado catatônico. Se perder o contato com a consciência, estados psicóticos. Mediunidade se confunde com problemas psiquiátricos. Perda do limite entre a razão e a loucura. Tendência a vícios. Baixa auto-estima. Síndrome do pânico.

 

O Sol – “... onde a vida não é mais um desafio a ser vencido, mas uma experiência a ser desfrutada.” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Tristeza, aprisionamento do ego, falta de auto-estima e de autoconfiança. Pessoa não consegue ser feliz com o que tem, não consegue ver as pequenas alegrias da vida. Mau humor. Hipocrisia. Critica demasiada. Orgulho. Vaidade.

 

O Julgamento – “O Julgamento dramatiza o momento da ressurreição espiritual de diversas maneiras.” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Desequilíbrio. Ficar preso na experiência em si e não na sua análise. Resistência a mudanças. Depressão, tristeza e falta de discernimento e senso crítico. Racionalizar demais as emoções ou dramatizar demasiado. Dificuldade de impor limite e dizer não. Culpas.

O Mundo – “Chegamos à culminação da longa jornada” (Nichols, 1980).

No processo terapêutico: Falta de elementos no ego. Fracassos acumulados. Pessoa que não consegue concluir o que começou, pois sente que se perdeu. Sensação de estar perdido, de ter esquecido algo no meio do caminho. Problemas de memória. Falta de conscientização. Coloca a culpa de tudo nos outros e não assume a sua responsabilidade. Idealização demasiada das pessoas e das situações.

 


 

  1. Discussão

Notamos que o tarô há muito deixou de ser um instrumento apenas usado por “curandeiros” ou até mesmo charlatãs para tirar dinheiro das pessoas em praça pública. Não que isso, infelizmente, não exista, assim como existem as sombras de todas as profissões. O tarô é apresentado aqui como mais uma ferramenta de entendimento do ser humano, de análise profunda de sua psiquê de que como isso tudo poderá ajudar o cliente a encontra um ponto dentro de si mesmo que o ajude a encontrar seu equilíbrio.

Hoje sabemos das relações entre o psíquico e o físico, por exemplo. Com certeza, um desequilíbrio psicológico ou energético, ou até mesmo uma maneira errônea de encarar determinadas fases naturais da vida, poderiam acarretar qualquer um destes problemas físicos. Assim, quando quer profissional terapeuta holístico identifica um desequilíbrio pode, ao mesmo tempo, identificar um padrão psicológico que precisa ser mexido e mudado pela pessoa, para que o completo restabelecimento do cliente aconteça. Aqui, o tarô poderia fornecer o momento arquetípico do cliente e auxiliar no uso de quaisquer outras técnicas, já que sua função é somente “retirar” da inconsciência aquilo que lhe é necessário saber.

Nota-se também que cada uma das cartas tem mais de uma possibilidade de interpretação. Esse aspecto deve ser levado em conta e procurar encontrar o exato ponto de confluência entre a carta e a história relatada pelo cliente. Assim, pode-se precisar a avaliação sem margens de erros. Por vezes, pode ser necessária mais de uma sessão para que o processo de associação livre fique claro e livre de interferências.

 

 

  1. Conclusão

Fica esclarecido neste trabalho como o tarô pode ajudar em qualquer processo de mudança e de melhora que o cliente esteja passando, tanto para orientação da técnica a ser utilizada a seguir, quando do tempo arquetípico em si.

De fato estes estudos e a maneira como ele pode ser usado dentro da sessão terapeutica ainda não estão finalizadas. Ainda podemos perceber que existe muito a estudar e pesquisar sobre o tema, inclusive com o relato direto de casos e comprovações. Este trabalho apenas se propôs a demonstrar as coincidências teóricas que podem ser levadas a cabo ao longo de um processo terapêutico. Este trabalho foi o início de uma jornada arquetípica para, uma vez mais, desenvolver técnicas que ajudem as pessoas a terem uma melhor qualidade de vida e, em muitos casos, estabelecer a harmonização de suas feridas emocionais mais profundas. Tanto na evolução da humanidade, num contexto geral, como dos seres humanos, no contexto individual.

 

  1. Referências bibliográficas

BIASE. F. O homem holístico – A unidade mente natureza. 2ª edição. Petrópolis. Editora Vozes. 2000.

FONTENELE. L. A interpretação. 1ª edição. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor. 2002.

 

GARCIA-ROZA. L. Freud e o inconsciente. 20ª edição. Rio de Janeiro. Jorge Zahar Editor. 1994.

GUIMARÃES. C. A.F. Carl Gustav Jung e os fenômenos psíquicos. São Paulo. Editora Madras.2004.

JUNG. C.G. Sincronicidade. 10ª edição. Petrópolis. Editora Vozes. 2000.

JUNG.C.G. A prática da psicoterapia. 9ª edição. Petrópolis. Editora Vozes. 2004.

JUNG.C.G. O homem e seus símbolos. 22ª impressão. Rio de Janeiro. Editora Nova Fronteira. 1964

JUNG.C.G. Presente e futuro. 4ª edição. Petrópolis. Editora Vozes. 1999.

JUNG.C.G. Psicoterapia do inconsciente. 13ª edição. Petrópolis. Editora Vozes. 2001.

LAPLANCE E PONTALIS. Vocabulário de psicanálise. 4º edição. São Paulo. Martins Fontes. 2001.

NICHOLS, S. Jung e o Tarô: Uma jornada arquetípica. Edição 9.São Paulo.Cultrix.2000

PIERI.P.F. Dicionário Junguiano.. 1ª edição. São Paulo. Editora Vozes. Paulus Editora. 1998.

PRAMAD,V. Curso de tarô e seu uso terapêutico. 3º edição. São Paulo. Madras. 2008

RAPPAPORT, C.R. Teorias da personalidade em Freud, Reich e Jung. 1ª edição. São Paulo. EPU. 1984.

 

 

  1. Anexos e Apêndices

Tabela 1 – Significado arquetípico das cartas do tarô

Arcano

Nomenclatura

Significado

0

O Louco

É a carta que não tem número. Liga o mundo real ao mundo espiritual .O inconsciente na sua forma mais pura, lado instintivo. Por saber usar esse lado instintivo, é ele que impulsiona nossas vidas para frente.

1

O Mago

Inicio do processo de individuação proposto por Jung. Começo do pé na realidade da vida. Pode ser tanto mágico criador como embusteiro. Energias domesticadas, elementos para começar no caminho da vida. Porém, pode criar ainda as ilusões, aparência da realidade. Sugere ação.

2

A Sacerdotisa

Representa o princípio feminino da divindade, o yin primário e as deusas femininas. Receptividade. Passividade. Contenção e tradição. Persistência, amor e paciência feminina. Experiência interior. Espiritualização.

3

A Imperatriz

O princípio feminino no sentido Terra, Mãe, mundano. Capacidade criativa. Poder do amor. Sociabilidade e socialização. Ação e conclusão. Criação. Capacidade intuitiva. Inspiração.

4

O Imperador

Princípio masculino yang. Racionalidade. Princípio da realidade. Ação. Consciência. Responsabilidade. Figuras masculinas de poder (pai, chefe). Mente.

5

O Sumo Sacerdote

Liga o mundo interno e externo de maneira mais consciente. União do masculino e do feminino sagrado. Ponte entre o homem e Deus. Contato do homem com o seu espírito. Consciência do poder espiritual. Principio masculino e racional da espiritualidade.

6

O Enamorado

Conflito. Princípio da realidade. Consciência. Desejos antagônicos. Romper o cordão umbilical. Encontrar a força dentro de si. Dúvidas. Ligar a vida espiritual e emocional. Conflito como fonte de crescimento e evolução.

7

O Carro

A viagem pela vida. Autodescobrimento através das vivências e experiências. Ação. O próprio corpo do consulente. Estabilidade. Proteção.

8

A Justiça

Dualidade humana. Inocência e culpa. Equilíbrio. Responsabilidade gerada pelo conhecimento. Fim das ilusões e da inconsciência. Poder de discriminação entre o certo e o errado. Necessidade de pesar as coisas. Opostos trabalhando juntos.

9

O Eremitha

Necessidade de solidão e meditação. Encontrar os significados interiores. Espiritualização. Observação. Sabedoria. Aspectos ligados à mediunidade.

10

A Roda da Fortuna

O dentro e o fora. O eterno girar da vida e dos acontecimentos. Dentro é a essência e fora o acontecer. Equilíbrio quando no meio da roda, olhando a situação de dentro e deixando com que as coisas aconteçam. Mudanças. Nascimento e morte. Uso do instinto e do mental como forma de equilíbrio.

11

A Força

Força do instinto. Domínio das emoções através da anima (força feminina). Domínio do nosso lado animal. Sexualidade equilibrada. Emoções equilibradas. Força interior.

12

O Enforcado

Período de transição. Abandono de velhas atitudes e se deparar com o novo. Necessidade de coragem e sacrifício. Acomodação. Traição das velhas tradições.

13

A Morte

Transformações, mudanças repentinas. As grandes fases de mudanças. Morte do velho para renascer o novo. Período de desapego. Revitalização. Renovação.

14

A Temperança

Temperar as emoções. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Emoções profundas e desafios da alma. Dissolução das velhas formas e o desatamento de nos rígidos. Situações de conflito em que se deve ser os dois lados da moeda.

15

O Diabo

Estagnação. Energias negativas circundando a questão. Nossa sombra, nosso lado negro e cruel. Arrogância, orgulho, inveja, cobiça. Magia negra.

16

A Torre

Destruição das velhas crenças e das velhas formas de viver. Quando não é mais possível, pela própria ordem natural das coisas e do Universo, manter uma situação que não está de acordo. Pode representar a ira e a intervenção divina.

17

A Estrela

Auto-aceitação da sua natureza básica. Ligação com a alma e não somente com o Ego. Entendimento. Compreensão do todo. Intuição e luz. Espiritualidade. O pessoal e o transpessoal.

18

A Lua

Aquilo que está escondido na noite do inconsciente. Depressão. Fuga da realidade para o mundo interior. Mediunidade. Desolamento. Infertilidade. Mergulho no deserto do inconsciente.

19

O Sol

Alegria. Consciência. Auto-estima elevada. Sensação de liberdade. Inocência infantil. Prosperidade. Proximidade com a nossa natureza e aceitação desta.

20

O Julgamento

Finalização de processo. Separar o joio do trigo para um novo recomeço futuro. Análise profunda das situações da vida. Equilíbrio entre a razão e a emoção, sensação e intuição. Aceitação das mudanças.

21

O Mundo

Eu como centro do equilíbrio psíquico. Interação dos quatro elementos da natureza (terra, fogo, ar e água). Integração dos aspectos femininos e masculinos, negativos e positivos do ego. O ego está completo e se sentindo pleno de sentido. Vitória. Triunfo.

Fonte: “Jung e o Tarô – uma jornada arquetípica” – Sallie Nichols – Ed.Cultrix

Última atualização:
2008-05-06 13:38
Autor: :
Andrea Pavlovitsch - Terapeuta Holística - CRT 41933
Revisão:
1.0
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